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domingo, outubro 17, 2021
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    O Casamento de Um Conto de Réis

    O Tenente Francisco José Bernardes foi um dos homens mais ilustres e endinheirados da região de Lagoa da Prata, nos idos do século passado. Era tio de Carlos Bernardes, o fundador desta cidade. Homem de muitas posses, chegou por estas terras em 1.840. Teve fortuna avaliada em muitos contos de réis, moeda corrente naqueles tempos. Segundo os antigos, era muito dinheiro.

    O Tenente era fazendeiro e comprou terras no povoado das Grotadas, indo para Santo Antônio do Monte na estrada velha, Boa Vista e Escorrupicho. Neste local, o Tenente construiu a Casa Grande, sede da sua fazenda. Ficava na margem esquerda do Rio São Francisco, com terras amplamente cultiváveis e altaneiras.

    Dali via-se todo o Pantaninho (antigo nome da cidade de Lagoa da Prata). Possuía muitos escravos e a fazenda tinha muita atividade. Nas Grotadas, quando o Tenente chegara, morava por ali uma viúva, fazendeira, por nome Maria Henriquina de São José. Era muito jovem, possuía duas filhas pequenas e, segundo nos conta os livros de nossa terra, muito bonita e atraente.

    Muitos pretendentes já haviam se declarado para a mulher, mas esta era séria, sistemática como diziam. Muitos políticos importantes já tinham vindo visitá-la na sua fazenda. Muitos proeminentes e conhecidos, todos interessados na sua beleza cativante, pura e de fino trato.

    O Tenente Francisco para chegar às terras do Pantaninho, passava próximo à fazenda da Dona Maria Henriquina. Nessas idas e vindas, certa feita, reparando a bela senhora, ficou enamorado.

    Achegando-se a conhecidos seus nas Grotadas, pessoas próximas também à Dona Henriquina, encomendou um compadre seu que pudesse se dispor a levar recado para a distinta senhora. Mandou chamá-lo debaixo de muito segredo, em noite de lua cheia para arranjarem as coisas e ensaiarem o pedido.

    Pensaram em várias coisas, mas o Tenente não era homem de ficar metido em coisas sensíveis para declarar a uma mulher, visto não ter mais idade para ficar por aí, abraçando os arroubos da juventude.

    Permitiu-se dizer o recado à boca pequena, de forma curta para não ter dúvidas: Pedia que D. Maria Henriquina viesse dormir em sua fazenda uma noite. Por isso, caso viesse, voltava para casa com UM CONTO DE RÉIS na bolsa. Era uma importância vultosa. Daria para comprar uma pequena gleba de terra.

    Esta incumbência o pobre homem logo tratou de desvencilhar- se, indo até a fazenda São José sem demora, dada a importância do negócio e a pressa do fazendeiro importante. Foi ligeiro e sem muita demora, pôs-se de volta à fazenda do pretendente.

    O Tenente ficou a esperar pelo compadre na porteira da fazenda nas Grotadas, ansioso. Quando retornou, viu o semblante sisudo do interlocutor, mas com um sorriso maroto no canto da boca. Foi logo dizendo que a resposta de D. Maria Henriquina fora simples e sem questionamento algum.

    Entrou para dentro da casa e debaixo da luz do lampião, explicou com jeito simples a resposta de Dona Henriquina; de tão simples a resposta, começou a rir, recebendo reprimenda severa do fazendeiro.

    Nas palavras de Dona Henriquina, mandava dizer ao Tenente que aceitava por valor muito mais baixo que este. Mas muito menos. Mandou que levasse o padre junto e assim dormiria com ele todas as noites, de graça.

    O Tenente Francisco José Bernardes então, sem demora, mandou chamar o padre e em bem pouco tempo, o matrimônio foi celebrado conforme os mandamentos, sob a benção de Deus. E, de quebra, economizou seu dinheiro. Do casamento nasceram-lhes seis filhos.

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